As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

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10% As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por ManiacoBranco em Qua 04 Jul 2012, 13:21

Bom, tentando me desenferrujar, reescrevi está minha história. Ainda há apenas um capítulo, o qual postarei aqui.

Prólogo:
Spoiler:

Os cintilantes raios do sol nascente atravessavam as aberturas entre os galhos e folhas das árvores. A grama tomava uma coloração mais esverdeada e alegre, tornando a floresta um lugar aconchegante e belo. O orvalho pesava nas diversas plantas e folhas da floresta, brilhando ao ter contato com a luz.
Um homem encontrava-se encostado numa das árvores, relaxado pelo imenso conforto. Era um homem novo, com pouco mais de vinte anos, mas por sua aparência de cansaço, parecia mais velho do que era. Tinha cabelos escuros como à noite e olhos verdes como a grama. Trajava um manto amarronzado, cujo capuz cobria parte de seu rosto. Em seu cinto estavam duas adagas, extremamente afiadas. Aguardava pela pessoa que o chamou, para tratar de assuntos antigos. Depois de aguardar por mais tempo, até quando os raios do sol se tornassem mais fortes, começara a escutar barulhos de cascos de cavalos, na imensidão do silêncio que ocupava a floresta. Levantou-se do conforto das raízes e retirou as folhas que estavam agarradas em seu manto, tomando uma postura ereta. Três homens montados em lindos garanhões castanhos saíram do meio das árvores, parando um pouco à frente do viajante. Trajavam botas marrons de couro, calças marrons de lã, luvas negras de couro e, cinzentas e sujas cotas de malha. O viajante sorriu ao ver o rosto dos três velhos companheiros: Broadwin, Finn e Aagon. Talvez nunca tivessem sido tão próximos, mas estavam ali por uma causa maior.
- Olá Gregory, meu velho amigo – disse Broadwin, que estava no meio. – Trouxe o que lhe pedi?
De dentro de seu manto, Gregory retirou um livro lilás e extravagante, com detalhes dourados na borda da capa. No centro havia uma pirâmide amarelada, com uma mão a segurando por baixo. Broadwin, ao observar o livro, sorriu com satisfação. Desmontou de sua montaria e caminhou até Gregory, pegando o livro.
- Faz muito tempo desde quando roubamos este livro – comentou. – Lhe agradeço por isso, companheiro.
Quando se virou para voltar a sua montaria, Gregory o impediu:
- E quanto ao meu pagamento?
Broadwin fingiu não escutar a pergunta, e continuou em frente. Novamente Gregory perguntou:
- Broadwin Slade, onde está meu pagamento?
- Desculpe-me, companheiro. Nem sempre temos o que queremos – Broadwin respondeu, com um sorriso maléfico no rosto. Ele costumava ser frio com as pessoas, um aspecto que muitas vezes era fácil definir, apenas o observando: cabelos negros e oleosos de sujeira e olhos quase que completamente negros. Aagon e Finn o tratavam com muito respeito, e nunca salientavam em suas conversas. Tinham o direito de falar caso ele os permitisse ou caso tratasse de um assunto importante.
Gregory, pensativo após a reposta de seu antigo companheiro, observava-o tristemente, enquanto ele voltava com passos lentos para seu garanhão. Nunca pensara que, depois de todos aqueles anos, escutaria isso de um velho amigo. Levou seu braço para o alto e moveu velozmente seus dedos, fazendo uma esfera de fogo surgir na palma de sua mão, sem a queimar. Broadwin, ao ver aquela cena assustadora, deixou o livro cair. A brilhante luz tornava a sombra de Gregory horripilante, apesar da claridade do dia. Finn e Aagon, cobertos pelo medo, fugiram. Gregory não se importou: queria apenas Broadwin Slade.
- Eu nunca pensei que teria de fazer isso com você, Broadwin – disse ele, enquanto a esfera flamejante em sua mão se tornava maior.
- Você não precisa – disse Broadwin, com a voz trêmula. Por mais que tentasse mudar o pensamento de Gregory, não conseguiria. A esfera lhe acertou bem no rosto, e se alastrou por todo seu corpo. Seus gritos desesperados ecoaram por toda a floresta, anunciando o renascimento da magia. Neste dia Gregory se tornaria temido por todos que ouvissem sua história. Ele se tornaria um novo mago.

Capitulo 1: Barton
Spoiler:
A manhã chegara fria e enevoada, com o único som sendo o canto dos galos. Algumas das pessoas que já estavam acordadas saíam de suas casas para iniciarem suas tarefas diárias, mesmo que o frio as fizessem ter preguiça. William, filho de Barton, era preguiçoso, mesmo no calor. Porém, neste dia, acordara mais cedo que a maioria, por culpa de seu pai. Era um garoto pequeno, de apenas doze anos. Mas mesmo ainda sendo criança, manejava um arco tão bem quanto alguns arqueiros.
Barton estava encostado na porta dos aposentos de William. Observava o filho se vestir, com um leve sorriso no rosto. Os olhos de William eram azuis como os do pai, e o mesmo se podia dizer do cabelo. Parecia com ele na infância. William, já vestido, olhou para o pai e perguntou:
- Por que me olha assim? Tenho algo errado?
- Hoje é o seu segundo dia de treino com arco montado em cavalo – respondeu. – Percebo como você aprende rápido, Will.
Barton tinha trinta e sete anos, porém sua aparência o levava a parecer mais velho. Seu rosto possuía algumas cicatrizes de batalhas passadas, o que fazia muitos temê-lo. Tinha cabelos negros misturados com alguns brancos, e uma barba mal feita com a mesma coloração. Seus olhos eram azuis claros, que eram muito admirados por algumas pessoas.
Saíram do castelo quando a maior parte da população já estava acordada. Leoryl, irmão de William, treinava técnicas de espada num dos bonecos de treino, que se encontrava no pátio do castelo, assim como outros itens de treinamento. Tinha quinze anos, porém era muito alto. Seus cabelos negros se levantavam após cada movimento, e seus olhos castanhos se viravam velozmente para o local onde iria acertar no boneco. Percebendo a presença dos dois, se virou para o irmão, guardando sua espada na bainha.
- Está pronto? – perguntou. – Hoje seremos mais rígidos.
- Podem ser rígidos o quanto quiserem, mas hoje atirarei flechas cavalgando! – respondeu Will, empolgado, enquanto levantava o arco para o alto. O pai sorriu ao ver o rosto dos dois, refletindo novamente. Leoryl já era um guerreiro, e em breve lutaria com verdadeiras ameaças, enquanto William revivia o aprendizado de Leoryl.
Foram até a cavalariça, já com a madeira muito antiga. Pegaram os três garranos negros e atravessaram o muro da cidade. Lá fora, era um vasto e plano terreno, coberto por árvores. A região leste era muito conhecida por suas imensas florestas, com a maioria livre de grandes ameaças. Bricet, como a cidade era conhecida, recebia muitos viajantes por conta disso.
William os guiou até o local de costume, sem muitas árvores. Segurava as rédeas do cavalo com sua mão esquerda, e com a outra, o arco. Barton assoviou para chamar a atenção dos filhos, que se viraram imediatamente.
- Will, fixe sua cintura. Os quadris precisam estar para trás e as costas retas. Lembre-se de não pensar nas rédeas – explicou para o filho.
Will já estava cansado de escutar aquilo, porém sempre esquecia. Galopou mais a frente e retirou uma flecha da aljava, armando o arco. Mirou num tronco e atirou, errando por centímetros. Já se equilibrava perfeitamente com o cavalo em movimento, porém seus erros ainda eram grandes.
- Muito bom – disse Leoryl, para a felicidade de William. – Está apenas balançando muito o arco, por isso está errando. Segure com mais força.
O pai ficou satisfeito ao ouvir as palavras de Leoryl. Corrigira perfeitamente os erros do irmão, o que levava a crer que prestara muita atenção em seus movimentos. Will recebera as correções do irmão sem hesitar, e tentou novamente. Armou o arco e esqueceu as rédeas. Mirou em outra árvore e suspirou, segurando o arco com força. Atirou e acertou o lugar onde mirara, sem acreditar. Um largo sorriso surgiu em seu rosto, fazendo-o gargalhar de felicidade. Olhou para seu pai e Leoryl, gritando:
- Consegui! Acertei!
- A primeira vez é inesquecível – comentou seu irmão. – Parabéns, irmãozinho. Agora quero vê-lo acertar novamente.
Will continuara treinando, errando e acertando. Barton e Leoryl continuaram corrigindo os erros, fazendo-o melhorar cada vez mais. O sol da tarde já estava forte quando Barton começara a escutar cavalos se aproximando, provavelmente alguns dos seus. Finn e Aagon apareceram do meio das árvores, e aparentavam estar com fome e cansados. Finn segurava um livro roxo em sua mão, o qual chamou a atenção de Barton. Ordenou para que Leoryl continuasse treinando Will, para não prestarem atenção em sua conversa.
Os cavaleiros, ainda silenciosos, desmontaram e entregaram o livro para Barton, enquanto o olhavam folhear atentamente.
- O que é isso? – perguntou Barton, confuso. – Quem lhes deu isso? E onde está Broadwin?
- Broadwin está morto, senhor – Aagon tentou explicar, sem que Barton ficasse furioso. – Foi assassinado por um mago.
Barton franziu a testa, surpreso.
- Broadwin assassinado por um mago? Magia não existe faz tempos.
- Creio que não, meu senhor – salientou Finn, ainda trêmulo. – Vimos uma bola de fogo surgir em sua mão. Juro pelos Deuses.
- O que foram tratar com este homem?
Finn e Aagon trocaram olhares, disputando que iria continuar a falar. Por fim, Finn continuou:
- Fomos discutir sobre assuntos antigos, senhor. Queríamos o livro para estudos, porém Broadwin tentou roubá-lo. Por conta disso, acabou morto.
- Este livro foi roubado por vocês faz muito tempo, então. Qual era o nome deste homem? – perguntou Barton, querendo a informação que mais desejava.
- Gregory Lemon, senhor – respondeu Finn.
Aquele nome era uma lembrança antiga para Barton. Há tempos ele servira na guarda de Bricet, porém fugira em uma noite. Broadwin, na época, dizia que ele havia levado um de seus pertences. Ele se referia ao livro.
- Por que ele deixaria o livro? Não vejo motivos – disse Barton, ainda com a mente confusa. – Perguntarei à Lorde Tonoe se tem conhecimentos sobre essa língua.
- Não sabemos o motivo para deixar o livro, senhor – revelou Finn. – Deseja mais alguma coisa?
- Vão descansar. Vocês cavalgaram o dia todo, e não há como mentirem para mim – ordenou Barton, se virando para seus filhos. – Will e Leoryl, voltem para a cidade, agora.
Os filhos e os soldados assentiram com um gesto de cabeça. Barton fora na frente, os deixando para trás. Atravessou as densas florestas que cercavam Bricet num instante, encontrando-se com a estrada barrenta, que levava para a cidade. Cavalgou rapidamente até a taverna, onde desmontou de sua montaria. Pouco visitava aquele lugar, caso não fosse para tratar de assuntos de seu interesse. Era um local frugal: completamente de madeira, como toda sua mobília. O balcão encontrava-se encostado na parede, onde vários homens e guerreiros tomavam diversas bebidas. Lorde Tonoe estava sentado numa das mesas, com uma mulher sentada em seu colo. Ele tinha uma barba cinzenta e era careca, com uma cicatriz em sua cabeça. Seus olhos eram castanhos, assim como os de Leoryl.
- Poderia nos dar licença? – perguntou para a mulher, enquanto Barton se sentava.
- Claro, meu querido – ela respondeu, levantando-se.
Tonoe a observou até o momento em que se retirou da taverna, sorrindo. Olhou para Barton e disse:
- Linda, não é?
- Ainda procura prostitutas, Tonoe? Já está velho para isso – disse Barton, provocando-o.
- Para o amor não tem idade, senhor. Mas enfim, por que está aqui?
Barton colocou o livro sobre a mesa, enquanto observava Tonoe o inspecionar. O lorde o pegou e o folheou, sem entender a linguagem.
- Não entendo está linguagem, caso for para isso que me procura – revelou.
- Se descobrir, será muito bem recompensado – Barton tentou convencê-lo. – Terá também o tempo que for preciso.
Tonoe pensou por alguns segundos e respondeu:
- Tudo bem, senhor. Tentarei descobrir essa linguagem, apenas não prometo que conseguirei.
- Obrigado, Tonoe – Barton agradeceu.
O lorde, ainda curioso, perguntou:
- Do que se trata este livro, senhor?
- De magia – respondeu Barton, com o rosto sério.
Ao ouvir aquelas palavras, Tonoe suspirou fundo. “Então finalmente a magia despertou”, pensou ele. Séculos se passaram desde quando a magia fora extinta na Terra Central, permanecendo apenas nos locais inexplorados do fundo do Abismo Escuro.
- Espero que consiga descobrir está língua, Tonoe – Barton disse, enquanto quebrava o silêncio que provocara. Quando se levantou para partir, Tonoe o impediu:
- Eu já ia me esquecendo, senhor. Alguém lhe enviou uma carta pela manhã, porém não fiz questão de ler.
Ele pegou a carta que estava numa bolsa presa ao seu cinto, e a entregou para Barton. “Lorde Barton Tighfield, Protetor de Bricet e da Floresta Mágica, envio-lhe está carta com um pedido para que compareça em Vilanegra, nas redondezas do Abismo Escuro”, dizia. Logo abaixo, assinado em letras miúdas, estava escrito: “Moe Elder, Lorde de Vilanegra”.
- Moe Elder deseja minha presença em Vilanegra – disse para Tonoe –, avise Ross que virá comigo. Irei falar com minha família. E, quando eu voltar, espero que tenha aprendido algo com este livro.
Saiu às pressas da taverna, ignorando a despedida de Tonoe. Seu garrano negro o esperava, enquanto alimentava-se da grama que crescia ao redor das pedras. Montou-se nele e galopou até o castelo, sua moradia. Cumprimentou diversas pessoas no caminho, o que o atrasou. O exterior do castelo era simples - uma escada de madeira levava até a estrutura de pedra, ainda firme e forte mesmo após tantos anos. Saltou de sua montaria e subiu correndo os degraus, que se abaixavam por culpa de seu peso. A porta, também de madeira, fez um alto rangido ao ser aberta. Sua esposa, Freya, estava sentada na mesa, que cobria grande parte do salão. Sentada no trono que se encontrava do outro lado da mesa, estava sua filha, Katherine, que havia virado o trono para observar a lareira que havia por trás dele. Quatro estantes com diversos utensílios ficavam próximas as paredes, sendo que uma possuía elmos para enfeite. Em frente à porta, havia uma escadaria de pedra, que se encontrava com o tapete vermelho que levava até a mesa. Quatro pilares se estendiam pelo salão, com bandeiras presas a eles. Nelas havia o desenho de duas espadas cruzadas, o símbolo de Bricet.
Barton sentou-se na mesa, enquanto Freya lhe dava um copo de água. Enquanto ele bebia, ela o perguntou:
- Por que está tão quieto?
Após beber tudo em apenas um gole, Barton respondeu:
- Irei viajar para Vilanegra. Preciso que ajude Leoryl a comandar em minha ausência, querida.
Freya paralisou ao ouvir aquilo. Vilanegra era um lugar extremamente longe, e muitos dos guerreiros de lá não tinham simpatia com Barton, pela época que não enviou novos homens para ajudarem nos constantes desabamentos que aconteciam. Freya tinha a mesma idade de Barton, porém conseguia ser mais inteligente na maioria das vezes. Possuía olhos verdes, lindos como os dele. Seus cabelos castanhos desciam até seus ombros, porém não deixavam de ser bonitos. Katherine era semelhante a sua mãe: olhos verdes e cabelos castanhos. Apesar de parecidas, os cabelos da filha eram mais longos e seu rosto mostrava-se mais parecido com o de seu pai. Tinha a mesma idade de William, porém não gostava de batalhas. Ela, também triste com as palavras do pai, levantou-se do trono e protestou:
- Por que precisa fazer isso, pai, se pode recusar? Aquelas pessoas não gostam de você, sabe disso.
- As coisas mudaram minha querida – o pai respondeu, com calma –, sei que pode compreender, assim como seus irmãos irão.
Ela, sem responder, sentou-se novamente e observou as chamas da lareira, enquanto seus olhos esverdeados as refletiam. Estava extremamente preocupada com a segurança do pai e da cidade. Temia que algo não muito bom pudesse acontecer.
- Leve no mínimo três cavaleiros com você, Barton – pediu Freya, tentando retirar a preocupação que observava em sua filha apenas por seu comportamento. Barton, mesmo ouvindo as palavras de Freya, desejava viajar apenas com Ross, para mostrar confiança aos homens de Vilanegra. Sua família temia o pior, e não devia decepcioná-la. Depois de alguns segundos, suspirou fundo e disse:
- Levarei três homens conosco na viajem. Espero que proteja Bricet e nossa família, independente do que aconteça. Prometa-me que fará isso.
- Eu prometo – disse Freya, com suavidade. Leoryl e Will entraram na casa após alguns segundos, com seus rostos entristecidos. Isso mostrava claramente que escutaram a conversa, pelo outro lado da porta. Leoryl, sabendo que deveria tomar o lugar do pai em sua ausência, se aproximou dele e disse:
- Não se preocupe pai, cuidarei muito bem da cidade. Se precisarmos lutar, nós iremos.
- Sua coragem é muita, Leoryl – disse o pai, levantando-se. – Sei que protegerá Bricet a qualquer custo. Mas, agora, devo partir. Tonoe já deve ter avisado a Ross, e, como sempre, ele deve ter arrumado os cavalos. Que os Deuses lhes abençoe.
Antes que pudesse partir, Freya correu até ele e disse:
- Prometa-me que ficará bem.
- Prometo – Ele respondeu, beijando-a na testa. – Peço que orem por mim todas as noites, assim como farei por vocês. Permaneceremos unidos, mesmo distantes.
Seus filhos, tristes com a perigosa viajem do pai, correram até ele e o abraçaram. Barton despediu-se da família e retirou-se do castelo, percebendo o sumiço de seu cavalo. “Ross” murmurou para si mesmo, abrindo um leve sorriso no rosto. Caminhou até a cavalariça, onde viu seu garrano ao lado de dois garanhões já ocupados. Ross estava em um, e, no outro, estava o escudeiro.
- Chame Finn e Aagon, agora – ordenou para o cavaleiro – eles virão conosco.
Sem responder, Ross galopou até a taverna, possivelmente o local onde estariam. Barton montou em seu cavalo e aguardou pelo retorno dos três cavaleiros, observando o jovem escudeiro: devia possuir por volta de dezesseis ou dezessete anos, e tinha cabelos castanhos, assim como seus olhos. Finn, Aagon e Ross finalmente apareceram, com sorrisos de satisfação no rosto.
- Não entendo a causa destes sorrisos – disse Barton. – Mas sei que em breve eles desaparecerão de seus rostos. Agora vamos, garotas.
Os homens gargalharam, enquanto seguiam Barton para fora da cidade.


Capitulo 2: Amalric
Spoiler:
- Sir Amalric, está pronto? – perguntou um dos guardas, logo ao entrar na cabana do cavaleiro.
Sir Amalric era o cavaleiro mais respeitado de Alestan, a cidade capital do Reino de Eldred. Nasceu entre os Alberic, uma família nobre, que fora a responsável pela expulsão dos bárbaros que tentaram invadir a capital. Desde este momento honroso, sua família tornou-se a mais importante da nobreza, e também a responsável pela guarda da cidade. Seu pai, Sir Ewan, era o general da guarda, e jurara fidelidade para os Goldwin, a família do rei. Lady Swale, sua mãe, nasceu numa família de pescadores, porém, com sorte, conheceu Ewan, por quem se apaixonou e casou.
Os Alberic desde o início viveram em Alestan, e uma vez já foram pobres. Graças ao sangue de guerreiro que corria na veia da família, eles conseguiram expulsar os bárbaros, e por isso se tornaram uma família nobre. O pai de Ewan, Reece Alberic, foi o responsável pela vitória contra A Invasão dos Bárbaros, por culpa de sua estratégia infalível. Infelizmente, teve uma espada cravada em seu peito durante a batalha, e lá sua vida chegara ao fim. Nesta época Ewan era apenas um garoto, de catorze anos, porém era o único filho de Reece, e por isso se tornara o general da guarda muito cedo. Conheceu sua esposa durante uma viajem que fez até a pequena aldeia em que ela vivia, para encontrar os saqueadores que roubaram o pobre povoado. Neste dia Ewan levou Swale para Alestan, e desde então eles se tornaram inseparáveis.
Amalric olhou para o guarda de relance.
- Apenas aguarde este lerdo garoto terminar – ele colocava seu elmo enfeitado com dois chifres, que se encaixava perfeitamente com a couraça. Era uma armadura completamente cinza, sem muitos detalhes, porém poderia ser melhor do que as de seus oponentes. Seus longos cabelos loiros não eram totalmente cobertos pelo elmo, e por isso sua metade era vista encostada sobre a couraça. Seus olhos azuis eram as únicas cores chamativas que podiam ser vistas ao observar seu elmo, apesar de que era difícil perceber. Após seu escudeiro terminar de aprontar sua couraça, ele disse ao guarda:
- Agora estou pronto.
Ele retirou-se da cabana com passos rápidos, o máximo que sua armadura pesada permitia, enquanto o guarda lhe guiava até seu cavalo. Sua montaria era um frísio bem cuidado, com a pelagem macia e gostosa para acariciar. Quando Amalric montou em seu cavalo, a platéia aplaudiu. Três bancadas de madeira se estendiam em volta do corrimão onde os cavaleiros praticavam o desporto, e ao norte dele, havia o palco onde o rei e sua família se encontrava. Neste palco, havia três grandes tronos. Rei Baldric encontrava-se sentado no trono do meio, e no esquerdo, estava seu filho, Príncipe Baldwin, e no direito, sua esposa, Rainha Lena. Dois guardas levaram o escudo e lança para Amalric, apressados, enquanto o cavaleiro ajeitava-se sobre seu frísio. O escudo possuía o símbolo de um cavaleiro montado sobre um cavalo, segurando uma lança apontada para cima, o qual representava Alestan. Amalric galopou até o corrimão, e parou no lado inverso ao de seu oponente. O outro cavaleiro estava, também, com uma armadura frugal – completamente cinza, porém possuía alguns detalhes dourados na couraça. O escudo, assim como o de Amalric, possuía o mesmo estandarte.
Os cavaleiros ajeitaram-se pela última vez sobre seus cavalos, e então a justa iniciou-se. Aquele momento sempre fazia o coração de Amalric acelerar, pois sabia que poderia ser seu último dia de vida. Não importava quantas vezes seguidas ele participasse de uma justa, essa preocupação sempre lhe enchia o pensamento. Quando ele começou a aproximar-se de seu oponente, ajeitou a lança numa posição para acertá-lo. Amalric desviou-se do ataque da outra lança graças ao escudo, porém o outro cavaleiro não teve a mesma sorte. A ponta mortal penetrou na viseira de seu elmo perfurando-lhe o olho, e Amalric pôde sentir que sua lança adentrou no crânio de seu oponente. Ele derrubou-o do cavalo, vencendo novamente mais uma justa. Continuou galopando ao lado do corrimão, seguindo até o norte, em direção ao palco do rei. Ao chegar, abaixou sua lança e cabeça. O rei, percebendo o sinal do cavaleiro juramentado, disse:
- Parabéns por mais uma vitória, Amalric. Já era de se esperar pela derrota do pobre cavaleiro, afinal, você é um Alberic! – ele terminava a frase com gargalhadas.
- Obrigado, Vossa Graça – Amalric agradeceu, levantando sua cabeça.
- Agora vá comemorar sua vitória! – Rei Baldric ordenou, com um largo sorriso no rosto. – Mais tarde lhe darei tarefas para cumprir, e você deverá estar descansado – ele fez um gesto com a mão, para que Amalric se retirasse.
O cavaleiro galopou até sua cabana, onde seu escudeiro lhe esperava. Ele desmontou-se do cavalo na entrada da pequena estalagem, e logo depois os guardas vieram pegar o frísio. Ellis, o escudeiro, era um simples adolescente: tinha cabelos negros que cobriam-lhe o rosto, e seus olhos eram castanhos, como os da maioria. Tinha dezenove anos, e ainda faltavam dois longos anos para tornar-se um cavaleiro.
Antes que Amalric ordenasse, o escudeiro já corria até ele para ajudá-lo a retirar a armadura. Ellis não passava de um mero escudeiro para Amalric, porém sabia que ele era a maior utilidade para preparar-se para uma justa. E, por isso, no fim de toda justa, o cavaleiro fazia questão de agradecê-lo.
- Obrigado, Ellis – ele o agradeceu novamente, quando retirou seu elmo. Mas como sempre, o escudeiro se manteve calado. “Talvez seja coisa de família”, Amalric pensava. O cavaleiro chegou à conclusão que Ellis não se tornaria um amigo, e apenas serviria como escudeiro.
Antes que pudesse pelo menos se sentar, um guarda entrou na cabana, com a respiração pesada por culpa do cansaço.
- Sir Amalric, Rei Baldric deseja sua presença no castelo.
-Depois aquele velho me manda descansar novamente, mas nem tempo para sentar eu tenho! – Amalric resmungou, enquanto se retirava da cabana.


Última edição por ManiacoBranco em Seg 13 Ago 2012, 21:13, editado 1 vez(es)

ManiacoBranco

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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por saim em Sex 06 Jul 2012, 10:25

Olá, ManiacoBranco! Eu jurava ter comentado nesse tópico, mas parece que me enganei. Com certeza escrevi o texto, devo ter fechado o navegador sem postar.

Bom, basicamente eu tinha escrito que o texto está muito bom. Tem alguns probleminhas, mas é café pequeno. Pra um garoto de 13 anos, está bem impressionante.

Mas não sei qual a sua intenção com ele. Esse é um fórum a respeito de jogos, então presumo que seja o roteiro de um jogo. Só que o texto está dificílimo de traduzir pra um jogo. Se você pensa em mostrar uma tela com o texto, pode esquecer, ninguém vai ler tanto texto antes de começar a jogar.
Se você pensa em mostrar a história como animação, aí até que a coisa poderia funcionar, mas muitos detalhes serão perdidos. Você pode mantê-los no texto pra dar uma ambientação adequada pro animador, mas saiba que o jogador não vai perceber muito do que você escreveu.

Se a idéia é só escrever um texto bacana, independente dele poder virar um jogo ou não, eu tenho outras críticas a fazer. Mas é coisa muito técnica, só vale a pena nesse caso específico. Nesse caso, como não tem a ver com jogos, peço pra continuarmos a conversa por MP.

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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por ManiacoBranco em Sex 06 Jul 2012, 19:06

Obrigado pelo comentário, Saim! Agradeço!
Penso em escrever um texto mesmo, independente de que se torne um jogo. Ficaria grato em receber as críticas que tem a dizer.
Um dia posso até tentar levá-lo para um jogo, mas sem tantos detalhes.



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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por Gonzo em Sex 06 Jul 2012, 19:56

achei muito criativo, bem escrito, da pra imaginar a idade que a pessoa tem pelas palavras que ela escreve, diria que vc é maior de 21 anos, hehe
é uma bela introdução parabéns Like a Star @ heaven

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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por ManiacoBranco em Sex 06 Jul 2012, 21:43

Fico muito feliz em ler isso *_*
Sério, muito obrigado. Espero que tenha gostado...

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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por Sr. Sinistro em Ter 10 Jul 2012, 11:26

Está muito bom. Minha opinião é de que você tem uma excelente história em mãos e a está caracterizando da maneira correta.
Você detalha muito bem, embora o texta tenha alguns erros simples de corrigir, como por exemplo nesta parte:
"[...] olhos de William eram azuis como os do pai, e o mesmo podia-se dizer do cabelo."
No geral, está muito bom, seguindo a linha de escritores brasileiros, no estilo de Dragões de Éter, trilogia aclamada de um paulista. Acesse aqui
Vlws
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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por ManiacoBranco em Qua 11 Jul 2012, 19:59

Obrigado pelo comentário!
Irei revisar o capítulo e arrumar os erros. Existe mesmo muitos errinhos bobos ali.
Irei ler agora esse tal de "Dragões de Éter". Espero que seja uma boa leitura hehe Happy.

Enfim, logo postarei o segundo capítulo.

Vlw pelo comentário.

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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por saim em Ter 31 Jul 2012, 10:15

Ok, prometi algumas críticas a algum tempo, demorei mas aqui vai. Como eu disse, é coisa pequena com relação ao texto como um todo, que está muito bom. Mas daqui pra frente é só crítica. Espero que você entenda que essas críticas não diminuem a qualidade do texto, é que mostrar onde você acertou é meio que chover no molhado, vou mostrar só o que eu acho que ficaria melhor se diferente (o que não significa que esteja errado ou mesmo ruim).

Prólogo
Você começou a introduzir os personagens de uma forma distante, entrando aos poucos nos detalhes. Uma abordagem meio cinematográfica, só que o texto não é um script de cena. Não digo que é pra tratar o texto como se o leitor tivesse intimidade com os personagens, realmente ele não tem, mas não há motivo pra só dizer os nomes deles depois de um tempo. Ainda que queira introduzir os nomes só nos diálogos, usar "um homem (encontrava-se encostado numa das árvores...)" é um pouco mais distante que o necessário. Ali caberia usar "ele" ou então algo mais específico, como "um ex-ladrão", sei lá.

Outra coisa que me incomodou um pouco foi a forma usada na descrição dos personagens. Você pára a narrativa pra descrever a cena, acho que dá pra fazer tudo de uma vez, dando um pouco mais de ritmo à cena. Por exemplo, poderia substituir "Trajava um manto amarronzado, cujo capuz cobria parte de seu rosto. Em seu cinto estavam duas adagas, extremamente afiadas." por algo como "O capuz de seu manto marrom cobria seu rosto, mas ainda lhe era possível vislumbrar as adagas em seu cinto. Não que ele precisasse de suas lâminas afiadas, apenas gostava da imagem." Entendeu? A idéia não é resumir, mas mesclar a descrição da cena com o andamento da história. Outra frase que poderia ser bem mais curta: "Trajavam botas marrons de couro, calças marrons de lã, luvas negras de couro e, cinzentas e sujas cotas de malha." poderia ser substituída por "trajavam vestes de viagem, com armadura leve.". Pra história, a descrição desses três personagens não é muito importante, eles são meio que coadjuvantes.

Você usa adjetivos demais, descrição demais, algumas vezes desnecessariamente. Vou citar algumas frases pra você perceber como às vezes, eles não interferem na história (vou cortar o que eu acho desnecessário):
Os cintilantes raios do sol nascente
A grama tomava uma coloração mais esverdeada e alegre
Era um homem novo, com pouco mais de vinte anos - podia ser só "tinha pouco mais..."
Tinha cabelos escuros como à noite e olhos verdes como a grama. - Achei legais as comparações, então tirei só as cores, mas pode-se inverter também.
Em seu cinto estavam duas adagas, extremamente afiadas.
começara a escutar barulhos de cascos de cavalos chocando-se contra o chão,
montados em lindos garanhões castanhos -na verdade, eu usaria só "montados" e pronto
Desmontou de sua montaria

E, por fim, tem alguns trechos que eu usaria termos ou construções frasais diferentes. Aqui já é exagero na cara-de-pau de minha parte, de me enfiar no seu texto, mas você pode gostar das dicas (ou não).
escuros como à noite - "escuros como a noite" (sem crase)
Depois de aguardar por mais tempo, até quando os raios do sol se tornassem mais fortes, começara a escutar barulhos de cascos de cavalos chocando-se contra o chão, na imensidão do silêncio que ocupava a floresta. - "Aguardou por algumas horas, até que o sol ficou mais forte. No imenso silêncio que ocupava a floresta, começou a destacar cascos de montaria."
parando um pouco a frente do viajante - "parando pouco à frente do viajante"
um aspecto que muitas vezes era fácil definir, apenas o observando - "o que se notava ao observar sua figura"
Aagon e Finn o tratavam com muito respeito, e nunca salientavam em suas conversas - aqui me faltou vocbulário. Não saquei o que "salientavam" quer dizer, no contexto. Uma palavra mais simples atingiria um público maior. Talvez "se excediam"?
enquanto a bola de fogo em sua mão se tornava maior - "enquanto crescia a esfera flamejante" ou "enquanto o globo em sua mão aumentava"
- Você não precisa – disse Broadwin, com a voz trêmula - "- Vo-você não p-precisa, gaguejou Broadwin"

Ah, tem mais uma coisa, o fechamento do capítulo ficou meio corrido. A atmosfera começa muito tranquila pra de repente tornar-se macabra, o Gregory começa muito pacífico pra de repente tornar-se medonho. Acho que você precisa gastar um tempinho maior pra mudar a luz, ali. Na hora em que o Gregory resolve usar a magia, esse momento deve ser valorizado. Ele precisa parar, virar-se, seus olhos devem mostrar a resolução a que chegara. A bola de fogo deve se formar lentamente (ou irromper furiosamente), não simplesmente surgir na palma da mão. A luz do fogo deve lançar sombras na floresta, apesar da claridade do dia. E, claro, o medo deve invadir os corações dos três antigos companheiros, que compreendem as consequencias daquela visão.
E faltou um motivo pro Broadwin não ter o pagamento combinado, também. Parece ser pura desonestidade, mas isso não fica claro, senti que faltou um motivo, naquele momento.

UAU, escrevi pra caramba e nem cheguei no capítulo longo, ainda. Mas já cansei. De forma geral, acho que deu pra sacar os pontos em que eu acho que dá pra melhorar. Como eu disse, não se trata de escrachar seu texto, eu gostei MUITO dele - nota-se o início de uma ótima aventura, aí - mas tem uns detalhezinhos que podem ser revisados. Uma leitura de alguém de fora é sempre importante pra notar esses detalhes. Eu fiz o prólogo, depois alguém precisa fazer o resto do livro - quem sabe algum editor profissional?

saim

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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por ManiacoBranco em Qui 02 Ago 2012, 15:24

Muito obrigado pela ótima avaliação. Bom, eu já arrumei o prólogo, e quanto a você dizer "E faltou um motivo pro Broadwin não ter o pagamento combinado", é porque tudo será revelado mais a frente. E bom, quanto eu retirar os "cintilantes", era um homem "novo", acho que não tem necessidade. Em alguns casos, é bom, mas eu acho que fica mais bonito.

Mas o prólogo está bem melhor. Depois posto a outra versão.
Bom, agradeço mesmo pela avaliação.

Segundo cap postado aí, prólogo editado e o primeiro também. Acho que irei aumentar o segundo... ou não =D

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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

Mensagem por ManiacoBranco em Ter 14 Ago 2012, 13:14

Editei prólogo e o primeiro capitulo, e postei o segundo.
Espero que gostem!

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10% Re: As Crônicas Mágicas - O Renascimento da Magia

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