Jogo Justo X Jogo Injusto

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Jogo Justo X Jogo Injusto

Mensagem por JOZ. em Qua 15 Dez 2010, 08:48

Jogo Justo x Jogo Injusto
Por Renato Siqueira, Atualizado: 2/12/2010 16:25

A triste verdade é que sem pirataria não existiria videogames no Brasil. Duvida?
Nosso colunista conta tudo para você



As dores e os sabores de financiar a pirataria

Lembro de minha mãe comprando o Super Nintendo em 1993, em pleno Plano Collor. Mesmo com pouco dinheiro, com inflação atazanando a vida dos brasileiros e poupança congelada, ela fez o esforço de comprar um dos consoles mais desejados da década de 1990. E o aparelho era lindo e tinha acabado de chegar do Paraguai, americano, impecável e custando muito menos do que o que havia na indústria nacional.

Apesar das tentativas, a inflação ainda nos assombrava, mas os consoles e games Nintendo tinham uma parte produzida pela Playtronic, uma joint venture criada entre a Gradiente e a Estrela para representar a gigante dos games no Brasil, só que os valores dos produtos nacionais ainda eram mais caros do que os importados. Mesmo pagando menos impostos e economizando no transporte, a fabricante não podia repassar os valores. Os motivos óbvios para isso estão ligados ao medo do retorno da inflação, aos planos de governo absurdos que tentavam segurá-la e a uma margem de lucro mais alta já que uma grande maioria das pessoas comprava contrabando.

Saltamos mais um pouquinho no tempo e me lembro da época de cursinho pré-faculdade em 1998. A economia era um pouco melhor e eu ganhava R$ 10 de mesada todos os dias para transporte e alimentação. Deste dinheiro me sobravam R$ 2 todos os dias. Todas as semanas, no sábado tinha R$ 10 e era com este dinheiro que comprava dois jogos de Playstation piratas na galeria Pagé, meca do contrabando e da pirataria na região central de São Paulo. Foi assim que fiz uma coleção de quase 200 jogos que hoje já nem me lembro onde foram parar.


O crime compensa no Brasil?

Nessa época um jogo original chegava a custar R$ 350 e o salário mínimo, quem diria, não passava dos R$135. O que isso me ensinou? Que o crime compensa no Brasil, mas não foi só a mim, inclua nesta lista a grande maioria dos brasileiros (até empresários e gente da alta sociedade). E a chegada da internet ajudou a turbinar mais o sentimento de “ilegal é legal”. Os cds antes vindos da China em navios, agora podiam ser duplicados em casa com um cd virgem.

Eu lembro de um empresário amigo que disse: “A internet é o maior detonador de lucros da história”. E ele tem razão. Pela internet é possível baixar músicas, vídeos, livros, games, ou seja tudo que é considerado caro e supérfulo para a grande maioria dos brasileiros.

O pensamento é mais ou menos assim: “se não tenho dinheiro para assistir 'Tropa de Elite' com minha família no cinema porque cada ingresso custa mais de 16 paus, então eu compro a versão pirata por 5 reais e vejo do jeito que tiver”. A pirataria no Brasil é um mau-hábito que já se tornou cultural, é a única maneira de nos colocar em contato com o mundo, faz com que a mídia de massa, feita para entreter que deveria ser muito barata, mas é caríssima por aqui, encontre quem deveria. Agora mais impressionante do que isso é saber que mesmo com tudo isso a indústria de videogames entre altos e baixos nunca acabou.


Dia do Jogo Justo

Viajemos então até os dias de hoje. Com 32 anos e trabalhando eu compro apenas jogos originais e como jornalista de games tenho um Playstation 3, um Wii, Nintendo DS e PSP atuais. Mesmo comprando originais não perdi o hábito de pechinchar os preços nas lojas da chamada zona cinza.

Enfim, no dia 21 de novembro aconteceu a prévia do “Dia do Jogo Justo” e um dos maiores apoiadores, a rede de lojas UZ Games colocou a venda 400 peças de “Bioshock 2” (PS3 e Xbox 360) por R$ 59,90. Eu achei a iniciativa muito interessante e resolvi comprar o jogo. Neste mesmo dia resolvi que queria “Call of Duty: Black Ops” também.

Na UZ do shopping Paulista comprei “Bioshock 2” e vi o preço de “Black Ops” (R$ 199), no entanto decidi me arriscar na zona cinza. Caminhando pela avenida paulista ao lado de lojas como Fnac e livraria Cultura existem conjuntos de pequenas “lojas” de produtos falsificados, contrabandeados, etc. Encontrar pirataria no Brasil é tão comum quanto tomar um cafezinho.

Na primeira loja, um cubículo atolado de bugigangas, onde mal cabia uma cadeira perguntei sobre o jogo e recebi a resposta: “Esse aqui é R$ 230! Acabou de chegar”. Dei aquela desculpa clássica do “vou dar mais uma olhadinha” e continuei a caminhar. Em outro local vendia-se por R$ 180, mas logo a frente recebi uma proposta irrecusável “se levar agora eu faço por R$ 160. É o último!”, disse a chinesa sorridente. O valor é sempre a vista e sem parcelamento, mas não é tão mais barato do que comprar o dito importado oficialmente, onde pode ser parcelado e tem garantia do fabricante.

Basicamente, a diferença do passado para o presente neste tipo de transação está na economia brasileira, infinitamente mais forte e estável. Antigamente, sem outras opções o jogador só tinha o pirata como referência.

O que me incomoda no entanto é a ideia de se achar que apenas baixando os impostos para a importação de videogames resolveremos os problemas do mercado. Isso é o mesmo que querer tapar o sol com a peneira para não bronzear a cara sem protetor solar. Não estou dizendo que isso não seja um passo importante, mas não é só isso.


O buraco é mais embaixo

Para o mercado de games crescer precisamos nos reeducar, tanto o consumidor como o vendedor. Temos que aprender que o “ilegal é ilegal” e colocar gente na cadeia por burlar a regra. E como fazer isso, se o “sistema” que gere toda a ilegalidade existe além do que podemos ver. Saber como funciona a mecânica da rede de contrabando de produtos do Paraguai e coibir isso é indispensável, pois enquanto estes produtos continuarem chegando e muita gente estiver recebendo por baixo dos panos para isso essa situação não vai mudar.

Em uma “loja de games chinesa” em plena avenida paulista você descobre muitas coisas. A primeira delas é que existe uma pessoa que viaja toda semana para o Paraguai para comprar mais mercadoria. Geralmente este viajante traz poucas peças de determinado jogo, no caso de “Call of Duty: Black Ops” em uma das lojas havia apenas 5 peças. Portanto enquanto importadores trazem entre 2 mil e 5 mil peças, um camelô compra 5.

A diferença é que este cara viaja toda semana para o Paraguai a procura de novas mercadorias o que o faz ter acesso aos games quase no mesmo momento em que são lançados. Em compensação para lucrar ele precisa vender estas peças rapidamente e atravessar a fronteira para comprar mais.


E como se isso não bastasse existe a propina paga a policiais e fiscais corruptos. Em um destes "shopping" no centro de São Paulo um dono de loja que não quis ser identificado falou que cada uma das 40 lojinhas presentes paga em média R$ 600 por semana para “molhar a mão” das autoridades que fazem de conta que não acontece nada lá dentro. São 12 mil reais por semana apenas em propina. Imagino que esse valor deve ser muito maior na avenida paulista.

Por outro lado, os grandes importadores também precisam alimentar o “sistema” pagando uma “caixinha” para que suas mercadorias sejam liberadas no prazo e para dar notas fiscais frias, onde se omitem os valores reais dos produtos. Tudo isso que eu citei é comum e acontece diariamente.

É lógico que todas essas despesas, somos nós que pagamos ao adquirir o produto final. A grana do contrabando e das ditas “caixinhas” alimentam o crime organizado. Na mesma rota que vem o seu jogo também vieram as armas e drogas que encontraram lá na Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro semana passada. Os traficantes, contrabandistas e policiais corruptos são a pontinha de um iceberg muito maior do que imaginamos.


Tome nota: brasileiro não é burro!

A pirataria faz parte da vida do brasileiro e antes de mais nada precisamos mudar essa mentalidade tão enraizada em nossa sociedade. Sonegam-se impostos de todos os lados e a ilegalidade rege a legalidade. Além disso, como podemos falar em Jogo Justo numa época em que os EUA estão procurando um bode expiatório para descontar seus problemas econômicos. Não faz nem três semanas que ouvimos o presidente Barack Obama pedir a China que não controlasse o câmbio de sua moeda para que eles pudessem exportar mais.

No Brasil fizeram o mesmo questionamento. Eles exportam mais, nós consumimos os importados em larga escala, a indústria nacional afunda e a grana sai do país. E se baixar impostos vai aumentar a importação, mas os importadores ainda terão que arcar com despesas de transporte, proprinas e tudo mais não pense você que um game que custa US$ 50 e chega aqui por R$ 200 hoje, de uma hora para outra passará a custar R$30. Fique esperto!


Sem fazer absolutamente nada, os preços estão caindo conforme a nossa economia cresce. Investir no Brasil está se tornando algo lucrativo, então porque ao invés de diminuir os impostos dos games, as empresas não montam sua fábrica em Manaus? A lei que incentivava no passado é a mesma hoje, apenas 2% de imposto, com a diferença de que não temos inflação absurda para nos assombrar. É um investimento sólido, sério e que se o mercado seguir por este rumo será muito poderoso. É uma pena a Playtronic não existir mais porque poderia produzir Wii no Brasil e exportar para nossos amigos da América Latina.

Ao invés de ver os detalhes, e achar que tudo se resolverá sozinho, precisamos analisar o todo arregaçar as mangas e fazer a nossa parte. É disso que estou falando. Tem muita gente que lucra da maneira como as coisas são feitas hoje e tem muita gente que vai lucrar com importação mais barata de produtos e não é necessariamente o consumidor e nem o país. De boas intenções, o mundo está cheio e precisamos ver até que ponto estamos sendo manipulados nessa história.

Quem sou eu:

Renato Siqueira é jornalista especializado em game atuante da área há 10 anos. Já trabalhou para a diversas revistas sites relacionados ao tema. Adora jogar e torce para o mercado crescer ainda mais. Quer saber mais, então leia o blog Penpas.

Fonte: http://jogos.br.msn.com/plataformas/ds/artigo.aspx?cp-documentid=26599567&page=0

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Não fui eu que escrevi isso, mas eu vi num forum e queria saber a opinião de vocês.

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Re: Jogo Justo X Jogo Injusto

Mensagem por Henrique_GJ em Qua 15 Dez 2010, 10:03

eu concordo com os dois lados

porque eu jamais pagaria 10 reais em um jogo original se tivesse pirata por 5 ainda mais se o original custar 100 ou mais

então com certeza a pirataria é a minha solução até prq eu não sou pobre de passar fome mas aki ficar comprando jogo original é muito mais areia do que meu caminhão pode levar então sem pirataria eu não teria aquilo que eu mais gosto de fazer nas manhas, tardes e sempre que posso

mas por outro lado não é justo ficar comprando jogos de qualidade pessima (pirata fica travando e para de funcionar rapidim) só porque os ORIGINAIS são mais caros do que deviam




resuimindo tem muita coisa que precisa mudar, não é nem deixar a pirataria pois nos nos não merecemos isso, nem abaixar os preços dos originais de 100 para 75 que da no mesmo

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Re: Jogo Justo X Jogo Injusto

Mensagem por Vikintor em Qua 15 Dez 2010, 11:03

Henrique_GJ escreveu:eu concordo com os dois lados

porque eu jamais pagaria 10 reais em um jogo original se tivesse pirata por 5 ainda mais se o original custar 100 ou mais
Se 10 reais vc não pagava isso já é muito pão durismo XD (desculpe mais é verdade).
E ainda por cima difícil de acreditar que deseja trabalhar com games.
No

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Re: Jogo Justo X Jogo Injusto

Mensagem por Henrique_GJ em Qua 15 Dez 2010, 11:26

mas é seriu

é qui eu exagerei mesmo 10 contos eu pagava sim eu digitei acho que sem pensar

mas tipo fala seriu se tiver que pagar 60 reais como tem eu alguns lugares eu não pago mesmo não

se chegar um dia em que eu trabalhar com jogo e eu precisar eu compro mas por enquanto eu acho um absurdo

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Re: Jogo Justo X Jogo Injusto

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